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Turismo cervejeiro? Fazemos!

Quebrei o “porquinho” e fui à Europa visitar a 3 Fonteinen, uma das marcas mais célebres da Bélgica

Há duas coisas que motivam minha vida e harmonizam como ninguém: viagem e cerveja. E é claro, eu aproveito as tão aguardadas férias para visitar cervejarias, provar exemplares que muitas vezes não chegam ao Brasil, é como eu digo, é o momento de viver dias de “princesa cervejeira”!

A Bélgica é um dos países com grande relevância quando falamos deste fermentado tão popular e versátil, merece e precisa de muitas idas para uma pesquisa de campo completa e imersão.

A cada passagem por lá é a vez de realizar um sonho e destrinchar um pouco dessa escola cervejeira que me fascina tanto.

Desta vez me joguei (novamente) no azedume! Eu sou apaixonada pela família das Lambics e ter a chance de viver uma experiência como conhecer a 3 Fonteinen (pronuncia-se Drii Fonteinen) me deixou radiante.

Não sabe direito o que é essa tal de Lambic? Te conto mais sobre elas no final do texto!

Instalada num belo e amplo galpão em Lot, cidadezinha bucólica e charmosa próxima à Bruxelas, fica além de um tap-room incrível, parte da fábrica que acolhe cerca de 300 barris, de tamanhos diversos. Lá acontecem algumas etapas da produção, como:  maturação e envase dessas verdadeiras obras de arte da natureza.

A marca nasceu em 1883 como uma blenderie, ou seja, não produzia seu próprio mosto, mas disponibilizava em suas 3 torneiras (daí a origem do nome) alguns tipos de Lambics. Depois, se tornou expert em criar combinações equilibradas, produzidas por especialistas no assunto. Muitas águas rolaram e desde1998, a célebre marca conta com uma fábrica em Beersel, coladinha em na cidade de Lot.

Mesmo com a produção própria, eles ainda compram mosto de cervejarias como a Boon, a maior produtora de Lambic do mundo. Aliás, aí vai uma curiosidade: as cervejas 100% 3 Fonteinen são envasadas em garrafas de cor marrom e as elaboradas com o mosto das parceiras, em recipientes verdes.

Foi uma emoção enorme conhecer o espaço e poder conversar por algumas boas horas com um dos responsáveis pelo marketing e vendas da marca.

O espaço é aberto à visitação, fica a menos de 40 minutos de Bruxelas e dá para ir de trem ou ônibus.  Para fazer o tour guiado é preciso agendar através do site.

Depois de conhecer um pouco sobre métodos de produção e história,  dá para curtir algumas das belas cervejas ali no bar, que conta com algumas boas opções de petiscos para acompanha-las. Sem falar nos souvenirs, tem desde camisetas, moletons, à geleias feitas com cerveja e queijos!!

Aliás, recomendo aos interessados: curtam o dia na cervejaria, conheçam a cidade e passem a noite em Lot, não façam apenas o bate e volta. Essa é uma das ações que a 3 Fonteinen vem promovendo para valorizar, não apenas seus produtos que tem alto padrão de qualidade, mas a região, seus atrativos e produtores locais.

Uma história bacana, que envolve a população da região é a força tarefa que a cervejaria faz para produzir uma de suas Krieks, que recebe a adição de uma cerejinha típica dali, pequena e delicada, ela precisa ser colhida a mão, uma por uma. Para viabilizar a produção dessa maravilha, que tive o privilégio de degustar, a marca conectou moradores que tinham pés da variedade de cereja chamada Schaarbeekse.

Essa edição é exclusiva, tem poucos exemplares e não está à venda em empórios ou site, só dá para provar lá mesmo.

É uma experiência única, além das belíssimas Lambics, todos os profissionais envolvidos são extremamente hospitaleiros e transmitem com simpatia o amor pelo o que fazem ao te receber por lá.

Quer provar essas lindezas mas não rola ir à Bélgica agora?

Fica de olho porque a meca cervejeira de São Paulo, vulgo EAP- Empório Alto dos Pinheiros, vira e mexe tem exemplares por lá.

Uma dica: cadastre-se no site da importadora que traz estas beldades, a Cavé Leman, e fique por dentro! Sempre que tem novidade no front, eles mandam newsletters!

Abaixo, uma explicação descontraída e bem resumida sobre a família do azedume!

Lambic, Gueuze e Kriek:

Lambic é o estilo de cerveja belga de fermentação espontânea feita no vale do Senne, nos arredores de Bruxelas. O mosto (primeira etapa da produção que nada mais é do que o cozido de água com grãos) fica em um tanque raso, amplo, em salas com janelas abertas.  

Para essa família, os lúpulos não precisam ser frescos, nesse caso o papel deles não é garantir aroma ou amargor à cerveja mas sim contribuir para a conservação- essa planta, considerada o tempero da cerveja tem propriedades bacteriostáticas, ou seja, garante que microrganismos não contaminem o líquido.

A água do ar condensa e cai sobre o mosto, repleta de leveduras selvagens. E este é o começo da vida dessas cervejas complexas e incríveis.

As Lambic são maturadas em barril de carvalho, as bebidas em diferentes estágios de maturação (de um a três anos)  são blendadas( leia-se mescladas em proporções equilibradas) e se transformam em Gueuze. Ou seja, a Gueuze é um blend de Lambics de diferentes estágios de maturação.

Já a Kriek, é uma Lambic que recebe cerejas durante sua maturação, as frutas são consumidas pelas leveduras e no final o resultado é além de uma bebida complexa, ácida, refrescante e com uma linda cor.

De quebra, além de limitadas e ultra complexas, elas são belas parcerias da gastronomia. São ótimas para harmonizar com peixes e frutos do mar, e uma Kriek é par perfeito para muitas sobremesas! Esse tópico rende mais um texto hein?

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Mariana Buck

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